De forma pateticamente nostálgica e desfasada no tempo falo agora um pouco da viagem que me levou de Oaxaca de regresso à cidade do México.
Foi um caminho preenchido com mais dois mosteiros, um em Tlacamachalco, sem nenhuma piada extra para além de umas pinturas no tecto realizadas por um indígena que só por si valeram o desvio de 40km. A forma como alguns "mesoamericanos" recolheram no seu coração (e não apenas no bolso e no corpo) a religião cristã não deixa de ser digna de registo. As pinturas abordavam temas bíblicos que iam desde os omnipresentes evangelistas até ao apocalipse e subsequente redenção (ou não). Usamos vários guias na viagem e para esse mosteiro entrámos com o "Blue Guide" que é um guia cultural extraordinário. As beatas (e beatas to be), que tiravam da igreja a água proveniente de uma copiosa chuva no dia anterior, rodearam-nos para saber como sabíamos nós o que estava representado no tecto da sua igreja de sempre. Os bonecos eram bonitos mas nenhuma dela tinha ideia do que representavam! Tão perto e tão longe...
Depois de uma breve passagem por Cholula e pela sua igreja construída no topo da segunda maior pirâmide mesoamericana, depois da do Sol de Teotihuacan, fomos dormir num hotel caído do céu (chovia, estávamos no meio do nada e o breu era mais escuro que ele mesmo) em San Andres Calpan (que, obviamente, é famosíssimo internacionalmente :-)
Qual o porquê de nos metermos por aí? Queríamos passar pelo Passo de Cortés, portela entre o Popocatepetl e o Iztaccihuatl, a 2ª e a 3ª maior elevação do México respectivamente (5400mt e 5200mt). Ambos são vulcões e o primeiro dos quais está activo. Do hotel onde ficámos a vista era monumental, algo que me deixou muito impressionado tanto pela dimensão como pela beleza de ver o sol nascente reflectir-se na neve do Popocatepetl. O hotel estava, aliás, numa zona privilegiada pois na parte de trás podiam ver-se outros dois vulcões, o La Malinche e o Pico de Orizaba (4ª e 1ª elevação do México). O Pico de Orizaba estava a mais de 200 km. É incrível poder ver perfeitamente algo que está a mais de 200km! Nem do castelo de Palmela se pode tal coisa :-) Seria como da Graça ver a Sé Velha de Coimbra.
Depois, passar entre os dois colossos foi o ponto de exclamação duma viagem a todos os títulos notável. Claro que a Cidade do México estava mergulhada na mais profunda poluição pelo que não foi possível presenciar a imagem tão bem descrita de Diaz de Castillo do que é hoje conhecido (inapropriadamente) por Valle de México.