Segunda-feira, Dezembro 26, 2005

Partida

As malas estão aviadas. Deixo por mais uns meses o nosso cantinho com as suas coisas boas e más. Mais tempo longe das pessoas de quem gosto, sem poder tomar um café junto ao mar, sem poder ouvir música na Radar ou notícias na TSF, sem pastéis de nata e bicas decentes ou sem ver o glorioso. Mais tempo a pensar numa língua estrangeira (neste caso duas) mas com um descanso de OTA's e TGV's, Soares e Cavacos, Luis Filipe Vieiras e Pintos da Costa.

Vou atravessar este terço (ou quarto) ocidental da Europa e mais histórias daqui surgirão, para incomodar os 2 incondicionais e meio deste blogue perdido na blogosfera (tão perdido que nem o seu criador o encontra :-)

Quinta-feira, Dezembro 22, 2005

O beija-mão do Louçã

Depois de um debate controlado pelo Soares, que foi feito de ataques e de uma arrogância pouco surpreendente, o frei Louçã veio dizer que arrogante foi o Cavaco.

Este pacto de não agressão, na verdade uma subserviência objectiva, legitima o pedido de voto útil que o PS certamente fará nas próximas eleições.

A forma demagógica e populista com que o Louçã embrulha muitas das suas boas ideias, fá-lo «apenas mais um» e era isso que não deveria ser.

À mulher do político...

Se o árbitro beneficia (ou parece beneficiar) o Benfica o alvo é o clube, se beneficia o Sporting o visado é o árbitro. Sistemas...

No fim-de-semana muito se falou do golo do Benfica e nada (!) do penalty sofrido pelo Luisão, muito mais evidente, que não assinalado. Pouco, quase nada, se falou dos golos que o slb sofreu em fora-de-jogo em três (!!) jornadas seguidas mas ontem o comentador do jogo do Benfica já avisava: «...o Nuno Gomes jogou com o peito mas o movimento que fez pode levar a pensar que foi com a mão. Vai fazer correr muita tinta».

Quer dizer, o golo não deveria ser validado se a um tipo que estivesse nas costas do Nuno Gomes lhe parecesse que talvez não fosse legal.

Aos golos do Benfica não basta serem absolutamente legais, têm também, sob todos os pontos de vista, de o parecer. E depois dizem que a política se confunde com o futebol.

Mudanças

As mudanças de vida dão menos tempo para viver no momento mas talvez multipliquem os minutos mais tarde.

Quarta-feira, Dezembro 14, 2005

A ditadura do proletariado

Jerónimo de Sousa disse ontem que a célebre frase «olhe que não, olhe que não» proferida por Cunhal, no debate com Soares de há 30 anos, revelava uma «ironia profunda» perante a questão que lhe era colocada.

Claro que isso não é uma surpresa para ninguém, mas é curioso ouvir o mais alto dirigente do PCP finalmente assumir a posição do seu partido nessa época(?).

Segunda-feira, Dezembro 12, 2005

Cuéntame como pasó



Vai-se estrear em Portugal a minha série preferida! Em português chamar-se-á: «Conta-me como foi». Vejam 2 ou 3 episódios, vão ver como é porreiro!

Sábado, Dezembro 10, 2005

Lá está México

Temos equipa para lhes ganhar. A deles é mais ou menos assim:

Guarda-Redes
Possivelmente um dos 10/15 melhores do mundo, ao nível do Baía.

Defesa
Têm bons defesas laterais e uma óptima dupla de centrais.

Meio Campo
Os médios centro são medianos
Na direita, Morales é muito rápido.
Na esquerda pode jogar Sinha, brasileiro naturalizado, posição 10 adaptado à esquerda ou Lozano, mais rápido e melhor a centrar.

Ataque
Borgetti, jogador tipo Jardel (dos bons velhos tempos) mas pior, ainda que cabeceie como poucos + Fonseca, muito lutador, chato «como à-potassa». É o espírito da equipa.

Com estes dois é um ataque lento. Pode entrar o Bravo, jogando em 4x3x3, e tornar o ataque mais rápido.

Podemos perder mas temos que ganhar 15-0, 15-0!

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005

Brilhante ilustração do «nosso» PCP


Com o devido agradecimento à campanha do Louçã

Sorteio do Mundial

Para mim seria engraçado um grupo tipo: México, Sérvia (ou Angola), Portugal e Coreia do Sul

Contudo, creio que o melhor seria: Inglaterra (ou México), Togo, Portugal e Trinidad e Tobago.

Bem sei que não nos damos bem com equipas teoricamente mais fracas mas a debilidade do Togo (equipa que gira em torno de um jogador que é estrela no Mónaco — e não no Milan, Juventus ou Barcelona...) e, principalmente, da Tinidad e Tobago (de longe a equipa mais fraca neste torneio) é tal que é quase impossível não ganharmos a uma e empatarmos com a outra, pelo menos. Mas lá que o Cão as tece lá isso tece...

Glorioso

Voltámos a ser gloriosos por uma noite. Soube bem. Estar nos oitavos de final é muito bom. Chegar aos quartos o objectivo de uma época. Exigir mais que isso é estar ainda a viver na época pré-Bosman.

Ironias involuntárias

Anda por aí uma faixa de um sindicato dos funcionários públicos que diz:

«Privilegiados, nós...?! [...] Trabalhamos para si !»

Se fosse alguém a ironizar sobre os serviços que nos prestam os funcionários públicos (não todos, atenção) não faria melhor.

Domingo, Dezembro 04, 2005

Separação da Igreja e do Estado

Lourenço, directamente das catacumbas (http://catacumbas.blogspot.com/2005/12/
separao-da-igreja-e-do-estado.html), ficou perplexo. Diz:

«No Por Estas e Por Outras, Radagast colocou a seguinte questão, relacionada com a proibição do acesso dos homossexuais ao sacerdócio:

Não é esta decisão claramente inconstitucional na maioria dos países em que vai ser aplicada?»

É bom ficar perplexo. É o abrir de portas para aceitar ideias que, à primeira vista, parecem ir de encontro ao que pensamos, mesmo que no final não as aceitemos.

Ele crê que:

A suposição de que a oposição da Igreja à ordenação de homossexuais é inconstitucional parte de dois pressupostos errados: o de que a ordenação é um direito (nunca o vi expresso na Constituição, nem sequer no Código de Direito Canónico) e, mais grave, o de que o Estado pode legislar sobre as regras internas da Igreja!

Começando pelo fim, que é o mais grave. Nunca levantei a questão da legislação mas sim da Constituição, que não é a mesma coisa. Embora tenha apreciado que a legislação dos partidos, com base na Constituição, tenha impedido os votos de braço no ar dentro do PCP e, por conseguinte, contribuído para um Portugal mais democrático, não creio que os nossos deputados devam interferir nas regras internas da Igreja; a não ser, lá está, que estas sejam inconstitucionais. Não sou eu que vou determinar se é o caso mas creio legítima a pergunta, até porque a alínea 1ª do artigo 13º da nossa Constituição diz:

Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.

Parece-me claro.

Lourenço aparenta ficar surpreendido, ou mesmo algo mais (a julgar pelo ponto de exclamação com que pontua a frase), por se aventar a possibilidade do Estado interferir nas regras internas da Igreja, mesmo que a alínea 1ª do artigo 18º da Constituição seja clara:

Os preceitos constitucionais respeitantes aos direitos, liberdades e garantias são directamente aplicáveis e vinculam as entidades públicas e privadas.

Estes malfadados laicos esqueçeram-se de incluir: excepto a Igreja...

Podemos dizer que para Lourenço não é inconstitucional se um negro, por o ser, for expressamente impedido de entrar na Igreja Universal do Reino de Deus, uma vez que tal não é um direito expresso na Constituição. Recordo o que diz Lourenço:

[é um pressuposto errado] de que a ordenação é um direito (nunca o vi expresso na Constituição, nem sequer no Código de Direito Canónico)

Contudo, estou crente que não era isso que queria dizer, e que não havia necessidade de algumas curiosas analogias.

Dito isto, depois de todo este discurso e não sendo eu constitucionalista, parece-me normal que seja a própria associação a determinar os parâmetros de acesso ao seu seio.

Creio, contudo, que os artigos da Constituição são claros e que não se pode querer isenções para casos especiais apenas porque desejamos ser nós os beneficiários dessa isenção.

Assim, e em face do expressado, retribuo a pergunta do Lourenço: Em nome da separação da Igreja e do Estado, não deveriam ser os laicos mais prudentes ao proporem a intervenção constitucional em matéria canónica? Com outra pergunta: Em nome da separação da Igreja e do Estado, não deveriam ser os Católicos mais prudentes ao proporem a isenção constitucional para a Igreja?