
O José Manuel Fernandes continua a “fazer das suas”, parece que continua no seu processo de “Salgadização”.
Fala no seu editorial de 17 de Setembro de 2005 da destruição das sinagogas como prova do fanatismo religioso dos palestinianos e associa-o ao que se passou durante o período nazi e a vigência da inquisição na Europa. É uma inversão total de sujeitos e uma forma, ainda que tosca, de, por analogia, fazer dos israelitas as vítimas e dos palestinianos um bando de fanáticos anti-semitas. É tosco e também demagógico (demagogia, aliás, que paira em todo o artigo) quando nega por omissão que essas sinagogas são, antes de mais, símbolo de uma ocupação injusta e ilegal. E como ilegal os colonos são criminosos de guerra (é a sua definição técnica) e nem a sua frase, demagógica mais uma vez, em que tenta retirar esse ónus dos colonos, ao acusar Raji Sourani de ter dito que as crianças destes também são criminosos de guerra, pode ocultar esse facto, tecnicamente inquestionável. José Manuel Fernandes além de expressar a sua opinião argumentada com base na manipulação dos factos não hesita em insinuar falsidades. Dá a entender que Raji Sourani frisou que as crianças dos colonos também eram criminosos de guerra e qualquer pessoa tenha lido a entrevista sabe que não foi o caso; mas nem todos leram a entrevista, não é certo...?
Sem querer misturar os temas (até para que a sobreposição dos mesmos não crie ruído), ainda hoje pudemos ver como Ariel Sharon defende a democracia, ameaçando tornar o processo democrático palestiniano inviável caso o Hamas participe. Isto atesta bem não apenas a desfaçatez mas também a visão de democracia que tem o chefe de governo israelita. Podemos, além do mais, enquadrar isto na forma de pensamento que procurou aproveitar a inevitável destruição de sinagogas (fruto de um sentimento causado por décadas de opressão e humilhações) para fazer dos palestinianos os vândalos que JMF acusa de serem.
Esther Mucznik não teria feito melhor.