Segunda-feira, Setembro 26, 2005

Sufjan Stevens

Com o seu tema “Chicago” do álbum Come feel Illinoise (oficialmente Illinois) está a passar com insistência, e ainda bem, na Radar (97.8), a melhor rádio de música na Gd Lx.

You came to take us
All things go, all things go

To recreate us
All things grow, all things grow

We have our mindset
All things know, all things know

You have to find us
All things go, all things go

Podem ouvir algo em:
http://www.amazon.com/exec/obidos/tg/detail/-/B0009R1T7M/ref=bxgy_cc_text_b/103-3849856-1547866?v=glance&s=music&st=*

Sexta-feira, Setembro 23, 2005

Comentários

Amigos, enviem os comentários que desejarem que serão inseridos no blogue. Espero que aceitam este repto. Têm dois mails à disposição. Isto vale também para o México :-)

Solidariedade...? Isso o que é?

Joana Amaral Dias é a mandatária para a Juventude de Mário Soares. Ela é membro da direcção do Bloco mas isso o que é que interessa?!

Se são assim no seio do Bloco imaginem como seriam num eventual governo!

Lamego no seu melhor

Veio hoje no Público um extenso artigo sobre mais uma trafulhice feita por este nosso amigo. A supresa é que ninguém, nas rádios ou televisões, lhe parece dar a atenção merecida. Deve ser um dos efeitos do caso da Felgueiras, sobre o qual muita gente anda a dizer muita coisa e que apenas merece uma palavra: "prisão".

O caso conta-se em duas palavras. A empresa Eurominas beneficiou de umas vantagens, em propriedades e logísticas (através da EDP), concedidas pelo estado para fazer uma determinada produção (ligas de manganés). Quando deixou de o fazer o estado decreta a reversão das terras. O que era inevitável. A empresa coloca o estado em tribunal exigindo uma indeminização e, ao longo de 10 anos, perde todos os julgamentos.

Até que o PS ganha as eleições em 1995. A empresa aproxima-se de Vitorino para que o Estado lhe pague uma indeminização à margem do direito e da moralidade. José Lamego está no governo nessa altura e trata do caso. Começa-se a falar da negociação de uma indeminização. Lamego sai do governo e passa a defender a Eurominas contra o estado... fala com os seus amigos no governo e consegue uma indeminização moral e juridicamente indevida para a Eurominas. Foram só 12 milhões...

É incrível o que se faz e ainda mais a cara-de-pau com que se faz. Lamego descaradamente roubou o erário público (através dos seus amigos) e há um silêncio enervante em torno do caso. Pelo menos até agora.

Terça-feira, Setembro 20, 2005

¿Mi casa o tú casa?

Na feira do Relógio, no passado domingo (creio), pavoneava-se (tenho a certeza) Manuel Maria Carrilho (MMC) com a sua Barbie Guimarães:

Feirante − Ela é muita gira!

MMC − Eu também sou bom!

Hills with hard peaks like the neck of a broken bottle

The flatter the desert, the more you become imprisoned and locked in by the horizon. You welcome every movement that elevates you and provides a view. You welcome every interruption: hills with hard peaks like the neck of a broken bottle; great movable yellow boulders; or quite simply distant heights coloured milky white or pale blue by the distance.

This morning I saw a marabout, the sepulchre of a holy man, its distant white walls reflecting the light like a beacon.

It takes about an hour to climb up to the stillness and solitude. There is nothing there.

Nothing but a few lizard tracks in the sand.

Nothing but a few unglazed, cracked and crumbling jars, the tombstones of the poor.

Nothing but a few large split palm trunks, grey with age, their timber like pressed straw.

And then the marabout door glowing acid-green and sulphur-yellow in the morning sun.

Far down below, a man is hacking away in the dry riverbed and some dark men are spreading out their dark, moist dates to dry beyond a low mud wall.

I go down to them, where it is already hot in the sun. But when they greet you, the men’s hands are still cool, almost cold − as if the night had remained behind in their bodies.

The only language we had in common was our hands.

Desert Divers
Sven Lindqvist

Sábado, Setembro 17, 2005

José Manuel Fernandes e Gaza


O José Manuel Fernandes continua a “fazer das suas”, parece que continua no seu processo de “Salgadização”.

Fala no seu editorial de 17 de Setembro de 2005 da destruição das sinagogas como prova do fanatismo religioso dos palestinianos e associa-o ao que se passou durante o período nazi e a vigência da inquisição na Europa. É uma inversão total de sujeitos e uma forma, ainda que tosca, de, por analogia, fazer dos israelitas as vítimas e dos palestinianos um bando de fanáticos anti-semitas. É tosco e também demagógico (demagogia, aliás, que paira em todo o artigo) quando nega por omissão que essas sinagogas são, antes de mais, símbolo de uma ocupação injusta e ilegal. E como ilegal os colonos são criminosos de guerra (é a sua definição técnica) e nem a sua frase, demagógica mais uma vez, em que tenta retirar esse ónus dos colonos, ao acusar Raji Sourani de ter dito que as crianças destes também são criminosos de guerra, pode ocultar esse facto, tecnicamente inquestionável. José Manuel Fernandes além de expressar a sua opinião argumentada com base na manipulação dos factos não hesita em insinuar falsidades. Dá a entender que Raji Sourani frisou que as crianças dos colonos também eram criminosos de guerra e qualquer pessoa tenha lido a entrevista sabe que não foi o caso; mas nem todos leram a entrevista, não é certo...?

Sem querer misturar os temas (até para que a sobreposição dos mesmos não crie ruído), ainda hoje pudemos ver como Ariel Sharon defende a democracia, ameaçando tornar o processo democrático palestiniano inviável caso o Hamas participe. Isto atesta bem não apenas a desfaçatez mas também a visão de democracia que tem o chefe de governo israelita. Podemos, além do mais, enquadrar isto na forma de pensamento que procurou aproveitar a inevitável destruição de sinagogas (fruto de um sentimento causado por décadas de opressão e humilhações) para fazer dos palestinianos os vândalos que JMF acusa de serem.

Esther Mucznik não teria feito melhor.

A piada de mau gosto

Reconheço que para alguns a foto da pesca pareça insensível. Em geral não acho muita piada a montagens de mau gosto. Contudo, não considero estar perante um caso destes e por uma razão muito simples. A imagem pode ser muito gráfica mas a verdade é que a criatura continuou de férias nos 3 (!!) dias que se seguiram ao Katrina. Se não andava a pescar, andava a cavalo ou de bicicleta (ainda que a polícia escocesa lhe tenha recomendado o uso de rodinhas). A piada de mau gosto é o que ele fez. O desprezo pelo povo que supostamente governa é que é que é insensível.

Sexta-feira, Setembro 16, 2005

O português dos alunos do ensino médio

Mais umas das imagens que me chegou às mãos através da minha amiga Ana

Bush

Parece que o único problema era uns cadáveres a boiar, onde se enrolavam as linhas de pesca.
O raio dos pretos nem mortos deixam de aborrecer esta deliciosa família WASP

Demoraram 5 anos a perceber?! E tiveram de ser os bifes a dizê-lo!

Feira Vegetariana

Até ao fds passado tivemos por Oeiras a Feira Vegetariana. É bom que haja um espaço público em que se chame a atenção para o facto dos animais não serem coisas. São pequenos gestos mas que acumulados talvez levem a uma libertação, não apenas dos animais mas também dos Homens do seu papel de opressores.

UEFA

Aquilo não correu muito bem ao FC Porto (muito superior ao Glasgow). Felizmente o campeão nacional ganhou (merecidamente) e aos demais representantes de Portugal, ainda que na Taça das Cidades com Feira, as coisas também não correram mal de todo. Talvez passem todos (para o V.Setúbal vai ser mais complicado).

San Cristobal de las Casas

Partimos das cascadas de Misol-ha e de água azul (de que lhes falarei em breve) com o objectivo de chegar a Toniná. Não conseguimos chegar antes que fechasse pelo que optamos por uma dormida ligeiramente fora de plano na modesta cidade de Ocozingo. Já tinha passado duas vezes por esta cidade e não tinha ficado com muito boa impressão. A verdade é que tinha ficado pelos arrabaldes. O centro é bastante agradável, fazendo lembrar algumas das cidades de interior que são representadas em telenovelas brasileiras. Esta é uma zona zapatista. O município supostamente faz parte dos caracoles de Marcos e sus muchachos. Obviamente o governo tinha de responder e acabou por desenvolver aí, numa cidade que está longe de ser importante demograficamente, um dos maiores quartéis do México. Parece uma brincadeira de crianças. Ocosingo é também sede da Universidade Tecnológica da Selva. Os macacos uivadores aprendem aí a uivar, os jaguares a quebrar o crânio das suas presas à dentada e os zapatistas a emitirem alertas vermelhos.

Daí fomos para San Cristobal de Las Casas, que é a minha cidade mexicana preferida. É agradável, a arquitectura é deleitável, ouve-se boa música, vê-se bom cinema, a natureza envolvente é de uma beleza discreta (excepto o Cañon del Sumidero) e vemos pessoas de todo o mundo.

Destacam-se dois edifícios, a Igreja de Santo Domingo e a Catedral. Em torno da primeira tem lugar diariamente o mercado da cidade, onde se pode encontrar artesanato bonito, luminoso e barato. Em dias de chuva as protecções de plástico que vêem são indispensáveis. E quando chove, chove.

Os bonecos de SCLC

A catedral (não, não é o estádio da luz mas também não é feia).
O laranja e o azul são contrastes que ao vivo são encantadores

O templo de Santo Domingo, centro do mercado da cidade


Uma rua da cidade. É uma pena é a carrinha

Quarta-feira, Setembro 14, 2005

Como o absoluto é relativo

Eis um poema da escritora polaca Wislawa Szymborska (Nobel da Literatura em 1996). Li-o no livro traduzido em português e editado pela Relógio d'Água, que me foi simpaticamente oferecido por uma aluna polaca que esteve a estudar em Lisboa no âmbito do Programa Erasmus. Agradeci-lhe o presente na altura e torno a agradecer-lho agora, depois de ler o livro.

As três mais estranhas palavras

Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba parte já para o passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
aniquilo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo sem cabimento em nenhum não-ser.

Terça-feira, Setembro 13, 2005

Para tudo uma explicação débil e frágil

Há em Portugal um complexo partilhado, diz-se, por quase seis milhões de portugueses: a dificuldade em aceitar as contrariedades com dignidade. A tendência irreprimível para encontrar bodes expiatórios. Fica-lhes tão mal... mas é atávico.

Portugal e as presidenciais egípcias

Na minha busca desesperada por situações piores que a portuguesa deparei-me com as presidenciais egípcias. Ufa, mais uma noite em que posso dormir descansado pensando “afinal ainda não somos os piores do mundo”.

Prometo apresentar em breve mais alguns documentos que sustentam esta minha tese, desta feita oriundos directamente das eleições locais no Burkina Faso.

In an interview with Sawt Al-Umma, an independent Sunday weekly, El-Sadat said that if he were elected head of state he would "not allow any head of state to kiss my wife on the cheek like Jimmy Carter did with Jihan El-Sadat (widow of Anwar El-Sadat). Although in the context of US culture this is simply a greeting manner, I would still not allow it because it is inconsistent with Egyptian cultural values."

It was, however, in Akhbar Al-Youm on Saturday, not on Nahdet Misr Thursday/Friday, that Ghazal offered up his economic plan: "We can use the vast deserts to have large numbers of camels. Camels are not like cows; they do not get mad-cow disease," Ghazal said.

A faixa de Gaza

Se bem que positiva em si aquela retirada é uma verdadeira palhaçada. Mas enfim...

“Israeli security forces have little compunction in opening fire on Arab demonstrators or driving a police jeep or two at full speed, guns ablaze with live ammunition, into demonstrators to disperse them. But in the event of a Jewish demonstration Israeli police assign two policemen to every demonstrator so that they can lift them away bodily without even having to use tear gas. Who needs tear gas anyway when the policemen's eyes are already streaming over the fate of the settlers?”

Mas porque raio não jogou o Ricardo!?!?

Já se sabe que o Ricardo se encolhe todo quanto lhe aparece o Luisão pela frente (não é tonto o rapaz, podem ter a certeza de que EU me encolheria de certeza!); era o suficiente para ser golo naquela última jogada!

O Sporting equilibrou no sábado as contas dos seus jogos com o Glorioso. Já tem 32 vitórias contra as 218 derrotas. Paciência. O Simão caiu 2 ou 3 vezes a menos de 5m da área e o árbitro em nenhuma delas marcou o penalty devido. Um escândalo! Para o ano há mais.

Sábado, Setembro 10, 2005

Maniche e extração do cérebro no Antigo Egipto

Ainda no outro dia comentava com o meu amigo Batti como o Maniche me lembrava algo do Antigo Egipto. Aquele nariz parece já ter sofrido a cirurgia através da qual se retirava o cérebro do falecido, no processo de mumificação. Tudo bate certo, o nariz e o que lhe saí da boca para fora.

15-0 ! 15-0 !


Não serão 15 (já sabemos que os tratadores da relva do slb são injustamente impedidos de contribuir para os sucessos do Glorioso) mas ganharemos 3-2. O anão marca 2 e o gigante careca 1.

A outra possibilidade é ficarmos a 8 pontos...

Terça-feira, Setembro 06, 2005

A viagem a Palenque

Depois da nossa visita pelo parque dos mosquitos¨ chegamos a Palenque. Aí constatámos que milhares (sim, sim, milhares) de pessoas tinham tido a mesma ideia. O pátio principal do sítio parecia Trafalgar Square. Havia que inovar.

Era a 3a vez que ia a Palenque e ainda não conhecia um templo chamado “olvidado”; 30 minutos depois de caminhar na selva, com 5 garrafas de água nas mãos e mochilas às costas, e sendo devorados pelos primos dos mosquitos de Villahermosa (o Luís Filipe dizia que o ar era constituído por 2 partes de oxigénio, 1 de azoto e 3 de mosquitos), demo-nos conta da razão do nome do templo.

Palenque é uma cidade sem paralelo (talvez com a excepção de Tikal) numa região de cidades já de si notáveis, como Toniná, Chichen Itzá, Bonampak ou Yaxchilán. O trabalho de relevos de estuque e a sua excepcional arquitectura saltam à vista; mas foi também em Palenque que as artes muitas vezes chamadas menores se destacaram. Falo de joalharia, olaria (com braseiros excepcionais), trabalho de mosaicos ou plumária.

O centro arquitectónico do sítio é chamado o Palácio, uma construção caótica em termos estruturais já que cada novo governante ia construindo algo novo no pátio do palácio original. Destaca-se a Torre que seria um observatório astronómico.

O próprio palácio está em ruínas e por isso muitos dos seus corredores e passagens encontram-se a céu aberto. Curiosamente dá para ver de uma forma ainda mais clara a falsa abóbada (ou abóbada maia) que caracterizava estas construções. Sem a técnica das abóbadas os Maias aproximavam gradualmente as paredes e juntavam os extremos com lajes de dimensões significativas.

Entre outros edifícios de importância no local apresento-vos imagens do Templo das Inscrições. Foi neste que em meados do século o arqueólogo cubano Alberto Ruz descobriu a tumba do rei Pacal, ainda intocada. Foi o Tutankhamon da Mesoamérica

O nosso lar doce lar em Palenque, apesar de estar instalado em plena selva, tinha como bicho mais abundante (depois do mosquito) o Homem. O espectáculo da noite no restaurante do Panchan apresentava-nos uns tipos do Bloco de Esquerda que tocavam tambores, acompanhados por umas miúdas que dançavam com bolas de fogo. Esta música, aliás, substituía os sons da selva que em Janeiro pude ouvir claramente da minha suave alcofa. Em Janeiro também pude ficar num quarto em que a casa-de-banho estava inteiramente fechada...nesta podia cumprimentar as pessoas que passavam à beira do quarto enquanto tomava banho.

É dessa visita que data a fotografia do anão. A seibas são muito grandes :-)

Palenque é uma maravilha, não tenho muitas palavras para descrevê-la e tão pouco danço muito bem danças tradicionais do Zimbabwe pelo que a minha descrição terá de ficar por aqui.

As imagens de Palenque

A caminho do templo escondido deparámo-nos com alguns cursos de água doce
com milhares (!!) de búzios. Eram quase tantos quanto as pequenas pedras. Esta água fresca (mas não muito) sabia muito bem :-)
À direita podemos ver o palácio e à esquerda o Templo das Inscrições, onde Alberto Ruz, na década de 50, encontrou o túmulo de Pacal.
A Torre, em pleno Palácio era usado como observatório astronómico

O Templo das Inscrições em destaque

Houve um anão encontrado na sua casinha dentro de uma seiba em Palenque. A floresta tropical húmida reserva-nos muitas surpresas...


Num dos corredores meio derrubados do Palácio em que é clara a abóboda maia


Le Bloc c'est moi

Louçã é o político faz tudo, qualquer dia faz também a limpeza da sede do Bloco; limpeza no sentido próprio da palavra embora outro tipo de limpezas não estejam fora dos seus objectivos.