Terça-feira, Agosto 30, 2005

Lagunas de Montebello

A caminho das Lagunas de Montebello passámos por duas zonas arqueológicas. Aqui temos fotografias da zona de Chinkultic. Esta zona está já incluída na dos lagos (ou das lagoas) das quais vão ver algumas fotografias.

Encontrando-se numa zona alta, este sítio arqueológico (chinkultic) tem um cenote, o que é algo de destacar. Um cenote é um afloramento de águas subterrâneas que se dá devido ao abatimento de uma superfície calcária. É um elemento geológico característico do Iucatão que não tem correntes de água de superfície. As fontes de água doce para os Maias da região eram estes cenotes e a água da chuva. O curioso é ver tão a sul, em Chiapas, algo com estas características.

As Lagunas de Montebello são mais de 50 lagos que, pelas mais diferentes razões (geológicas e botânicas), são de diferentes cores. Andámos para cima e para baixo no meio das montanhas e bosques com o guia que nos acompanhava, a ver alguns desses lagos e cenotes (formações calcárias feitas por rios subterrâneos que fazem abater a superfície).
Azul-marinho; azul-bebé; verde-esmeralda ou verde oceânico são algumas das cores presentes nestas massas de água. Há alguns lagos, como o da laguna esmeralda ou da cañada que são fascinantes de observar.

Uma dessas lagoas é atravessada a meio pela fronteira que separa Guatemala do México. É a única (e mesmo assim apenas uma metade) lagoa que está na parte guatemalteca.

Peço desculpa pela má edição das fotos. Vai melhorar




Outra da esmeralda. Definitivamente a minha preferida!


Uma lagoa azul da qual não me lembro o nome :-)




A Lagoa Esmeralda (por óbvias e belas razões)




a névoa



Uma das lagoas mais bonitas e a mais perigosa, devido aos remoinhos que se encontram abaixo da superficie. Essas correntes ligam quase todas as lagoas.


chinkultic

O regresso do outro senhor (Mário Soares)




Volta então o outro senhor.

“Que tem 81 anos” dizem uns, que essa atitude revela uma “política portuguesa escassa de novos valores”, agregam uns outros quantos. Serão estas boas razões para contestar tal candidatura? Será que uma pessoa válida, inteligente e sem problemas de saúde de maior não pode ser útil ao seu país? A idade é (quase) irrelevante. “Não há ninguém tão velho que não possa viver mais um ano nem ninguém tão jovem que não possa morrer amanhã”.

Não andamos a dizer que a qualidade de vida dos idosos é cada vez melhor, que a segurança social está cada vez pior e que uma das maneiras de contrabalançar essa tendência é adiar a idade de reforma? Que necessitamos de mais pessoas a trabalhar para pagar as reformas? Ora, visto desta forma, Mário Soares estaria a dar um exemplo de patriotismo e responsabilidade. Estaria. Estaria, se esta sua decisão não fosse movida apenas pelo seu desmesurado ego, pela sua vontade de voltar a ter o poder de vetar, de aparecer, de ser o que sempre foi, um animal político, com instinto e argúcia inigualáveis mas com uma profunda incapacidade de cumprir cargos políticos de forma responsável e eficiente.

Dizem que Cavaco Silva é arrogante, quiçá o seja; mas é curioso que algo que faz parte, de forma tão entranhada, da essência de Mário Soares (a sua soberbia, o seu menosprezo pelos que não considera à sua altura − quase todos) nunca seja referido. Cavaco tem aquela arrogância de catedrático, de pessoa que crê saber o que é melhor para os demais; mas porque pensou, porque estudou, porque se preocupou (mesmo que esteja errado).

Mário Soares têm uma arrogância que se baseia no simples facto de ser “o” Mário Soares. Não me interpretem mal, bem sabemos que ele tem uma cota de responsabilidade não despicienda no impedir da entrada de Portugal num regime estalinista-cunhalista, o qual, seguramente, haveria desembocado numa guerra civil. Contudo, basta ver a forma como há uns anos tratou um agente da GNR em público; ou como, mais recentemente, entrou a matar no Parlamento Europeu, como se “fosse tudo dele”, como se os deputados europeus tivessem de lhe prestar vassalagem; ou ainda como se referiu à depois presidente do Parlamento. Isto bastava, entre muitos outros exemplos, para constatar a jactância e a presunção da sua pessoa, que entram pelos olhos adentro. Considera-se acima dos restantes mortais simplesmente porque é ele próprio. É isso que se procura num presidente? Para um cargo que exige ponderação, equilíbrio e sentido de justiça?

Aliás, basta ver que solidariedade, lealdade, amizade ou a singela preocupação pelos demais é algo que nunca ocupou muito o dr. Soares. É evidente que a sua candidatura assenta sobretudo (inteiramente?) no seu “umbigocentrismo” e não numa preocupação pelo país. Possivelmente, o seu principal objectivo é tomar o lugar de Lula no panorama político internacional. Se ele fez o que fez ao Zenha, e agora ao Alegre, imaginem qual será a sua real preocupação pelo cidadãos...

E, já agora, se o Soares é candidato fará sentido o BE candidatar alguém? (o Pureza seria interessante) Afinal de contas, o Soares de hoje segue o pensamento político bloquista e não o socialista. Diria mesmo que o Cavaco é muito mais socialista que o Soares.

Enfim, se chegarmos a uma segunda volta (como parece provável) teremos de decidir entre uma pessoa que crê ter muito que dar ao país e outra que apenas vê em Portugal e nos portugueses devedores à sua real pessoa, devedores eternos.

Sábado, Agosto 20, 2005


Olmeca XVIII


governante jaguar


cabeça olmeca

Villahermosa e os Olmecas




Altar 5








A viagem mais recente levou-me, com os meus amigos viajantes, Luís Filipe, Andrea e Ernesto à zona de Tabasco. É a zona sul da sub-região mesoamericana da qual faz parte El Tajin.

Nesta parte encontramos a que ainda é chamada muitas vezes a cultura-mãe da Meso-américa. Claro que isso já está ultrapassado mas à realidade poucas vezes é atribuído o valor que realmente tem.

As peças mais representativas desta cultura encontram-se principalmente em 3 locais: Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, Museu de Antropologia de Jalapa (algumas das fotos do último post são daí) e Parque de La Venta, em Villahermosa. As fotos que aqui se vêem são daí.

No altar 5 vemos algo típico da cultura olmeca, um altar no qual se vê um governante a sair de uma gruta, neste caso com um menino nos braços. Uma vez que a gruta é associada ao inframundo há quem pense ver aqui uma representação de um sacrifício; contudo é mais provável que estejamos perante a apresentação de um herdeiro.

O jaguar era um animal muito respeitado e admirado pelos povos mesoamericanos em geral mas os Olmecas passaram essa admiração para as suas representações plásticas. Em olmeca XVIII vemos um senhor que é representado com um toucado particular e que tem a boca de um jaguar. Já em governante jaguar vemos um alto dignatário que não só tem a mesma boca como se encontra numa posição que é associada a um desses animais sentado.

As peças que mais sãs associadas aos Olmecas são estas célebres cabeças. Cada uma das mais de 40 cabeças que se conhecem actualmente representa um governante em particular. São, assim, verdadeiros retratos (coisitas com 12 toneladas +/-) Têm os rasgos étnicos típicos dos habitantes da região (semelhantes aos negróides), os olhos vesgos (sinal de beleza) e diferenciam-se entre si pelas “orelheiras” e pelos padrões dos toucados.

Villahermosa em si não tinha muito mais que ver. É uma cidade de meio milhão de habitantes com meio milhão de mosquitos por cada humano.