por-estas-e-por-outras
Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
Terça-feira, Dezembro 21, 2004
A unidade na dispersão
Em Fernando Pessoa, ortónimo, cumpre-se decerto a unidade da sua dispersão. Bernardo Soares diz no Livro do desassossego que «A renúncia é a libertação. Não querer é poder» e isso é coerente com o que Álvaro de Campos afirma no início da Tabacaria:
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Na renúncia, Pessoa encontra a possibilidade da utopia.
Domingo, Dezembro 19, 2004
Em busca da revalorização da universidade II
O meu conceito de universidade passa, independentemente da discussão e reflexão sobre Bolonha, pela sua existência e afirmação como centro de cultura aberto à comunidade, vertente tão importante como a do ensino ou da investigação. Este trinómio é, no entanto, absolutamente fundamental para a revalorização da universidade. Ora, parece-me que a atenção recai hoje em demasia sobre Bolonha e consequentemente sobre a estrutura dos graus de ensino, sobre a duração dos ciclos, sobre os curricula e sobre os conteúdos programáticos. Esta discussão é obviamente essencial para o futuro do ensino superior em Portugal e cada vez me convenço mais de que a devemos encarar sem medo e como uma oportunidade. Todavia, o papel da universidade não se esgota como instituição do ensino superior. Se assim for, corremos mesmo o risco de, embalados por Bolonha, privilegiarmos a dimensão pedagógica e didáctica, que, no entanto, urge repensar e reformular, esquecendo que a universidade deve procurar a excelência no ensino que ministra mas também na investigação que produz e como instituição cultural que é. Se ignorarmos esta terceira vertente, arriscamo-nos a tecnocratizar a universidade, esvaziando-lhe o espírito. É, efectivamente, nesta terceira vertente que ganha sentido pensar a universidade como uma comunidade, onde não queremos ver os alunos apenas como utentes mas sim como participantes activos, conscientes do seu papel criativo e interveniente.
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Vencer as distâncias
A notícia de que o motor de busca Google vai dar início à digitalização de obras em que já não se coloquem constrangimentos relativos a direitos de autor enche-me de esperança relativamente ao futuro. Sobretudo quando se trabalha e investiga em áreas do saber minoritárias sente-se as distâncias e o peso da periferia. A internet aproxima-nos.
«Os livros de cinco grandes bibliotecas norte-americanas vão ser colocados na íntegra no motor de busca da Internet Google. A versão digitalizada de um milhão de obras cujos direitos de autor já tenham caído no domínio público vai estar disponível par leitura "on-line", anunciou o Google. Para já, quatro bibliotecas de universidades (Harvard, Oxford, Michigan e Stanford) e a Biblioteca Pública de Nova Iorque participam no projecto. Os livros cujos direitos já sejam públicos vão ficar disponíveis na sua versão integral, enquanto das restantes obras apenas serão colocados na Internet excertos, de modo a preservar os direitos de autor de quem as assina, adiantou a AFP. Para já, o Google vai digitalizar cerca de um milhão de obras que passam a poder ser consultadas em qualquer local com acesso à Internet, assegurando que os únicos "links" desses documentos serão para a livraria Amazon e para algumas bibliotecas públicas, diz a Lusa.»
(Público, 15-12-04)
«Os livros de cinco grandes bibliotecas norte-americanas vão ser colocados na íntegra no motor de busca da Internet Google. A versão digitalizada de um milhão de obras cujos direitos de autor já tenham caído no domínio público vai estar disponível par leitura "on-line", anunciou o Google. Para já, quatro bibliotecas de universidades (Harvard, Oxford, Michigan e Stanford) e a Biblioteca Pública de Nova Iorque participam no projecto. Os livros cujos direitos já sejam públicos vão ficar disponíveis na sua versão integral, enquanto das restantes obras apenas serão colocados na Internet excertos, de modo a preservar os direitos de autor de quem as assina, adiantou a AFP. Para já, o Google vai digitalizar cerca de um milhão de obras que passam a poder ser consultadas em qualquer local com acesso à Internet, assegurando que os únicos "links" desses documentos serão para a livraria Amazon e para algumas bibliotecas públicas, diz a Lusa.»
(Público, 15-12-04)

